Chupetas: Não usá-las é uma questão de qualidade de vida.

 

O tema central do 18º Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo é abrangente o suficiente para permitir que se aplique nas mais diversas áreas profissionais. Lendo o artigo sobre chupetas no n.º 498 do Jornal da APCD. "Chupeta: bandida ou mocinha?", nos dá certeza de que esta questão merece discussão mais aprofundada e imediatamente o tema do Congresso deve ser lembrado. Se pretendemos que nossas crianças tenham Qualidade de Vida na amplitude que se pode desejar, deveríamos conhecer um pouco mais sobre aleitamento materno e o quanto as chupetas e mamadeiras são prejudiciais para nossas crianças. Um país onde a taxa de mortalidade infantil é ainda elevada a amamentação salva vidas. Odontólogos, Fonoaudiólogos e Pediatras têm sido descendentes com este hábito aparentemente singelo, provavelmente sob influência da publicidade dos fabricantes das chupetas "ortodônticas".

O uso de bicos artificiais leva ao fenômeno "confusão de bicos" - i. é, uma forma errônea de recém nascido posicionar a língua e sugar o peito, levando-o ao desmamo precoce. O recém nascido (RN) nasce com o reflexo de sugar e deglutir.

Numa boa pega, a língua fica no assoalho da cavidade oral para pressionar o osso do palato, formando um movimento peristálico, ritmado, como uma onda. Na posição errada ( má pega ) o RN só abocanha o mamilo, não conseguindo esvaziar os peitos, causando dor, fissuras, tensão materna, fome, choro e insatisfação do bebê.

Amamentação evita hábitos orais viciosos

Esta é uma das conclusões da tese de mestrado "Aleitamento, hábitos orais deletérios e mal-oclusões: existe uma associação?" da professora Júnia Maria Chein Serra Negra, de Odontopediatria da Universidade Federal de Minas Gerais. Ela investigou práticas orais de 357 crianças de 3 a 5 anos em escolas de classes sociais diferentes de Belo Horizonte, constatando a hipótese de que os lactentes que não foram aleitadas ao peito, ou o foram por curto período, desenvolvem hábitos orais viciosos. A chupeta foi o mal hábito que mais prevalesceu, chegando a 75% dos casos.

A Dra. Gabriela de Carvalho, diretora do Centro de Estudos Avançados em Odontologia e Fonoaudiologia afirma que a Amamentação é a: - prevenção da "Síndrome do Respirador Bucal"; - profilaxia da patologia do aparelho respiratório; - forma de evitar a deglutição atípica; - prevenção da mal-oclusão; - profilaxia das disfunções crâneo-mandibulares; - e a melhor maneira de prevenir as dificuldades da fonação.

A "Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes" (CNS, 1992) deixa bem claro que os rótulos de mamadeira, bicos e chupetas devem conter a seguinte mensagem: "A criança amamentada ao seio não necessita de mamadeira e de bico".

Por tudo e muito mais somos favoráveis ao Aleitamento Materno. Por que desejamos Qualidade de Vida para todos, apoiando o Aleitamento Materno.

 

*Dr. Marcus Renato de Carvalho - Prof. Dep. Pediatria FM/UFRJ
*Dra. Léa F. Amábile Odontóloga, Coordenadora da Campanha "Aleitamento Materno como Prevenção Odontológica" APCD/Americana.

Mais informações no websiite: http://www.alternex.com.br/-ibfanrio e www.leaodontofono.com.br

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