Para se propiciar uma boa nutrição à criança, antes de mais nada, é preciso entender muito claramente que ela não é um adulto pequeno, mas um ser que tem características próprias e se encontra num processo marcado por rápido crescimento e maturação fisiológica. Assim é que, a estas peculiaridades correspondem necessidades nutricionais específicas e não se podem aplicar recomendações dietéticas válidas para os adultos quando se vai escolher alimentos para crianças.
Nos primeiros meses de vida, tudo que o bebê necessita é de leite materno, mas depois do 6º mês ele deve aprender gradativamente a aceitar e apreciar uma variedade maior de alimentos. No primeiro período, que pode ser chamado de "período de amamentação", o "padrão ouro" de alimentação infantil é o leite materno. Os suplementos nutricionais não são necessários com a exceção da vitamina K, a ser administrada a todos os recém-nascidos uma vez, na maternidade, e a vitamina D.
A suplementação com ferro nas crianças alimentadas ao seio pode ser iniciada a partir do 4º mês, para se evitar o risco de queda das reservas de ferro durante o primeiro ano de vida. Um segundo período, chamado de "transição" se inicia por ocasião da introdução de suplemento alimentar à alimentação láctea. Na verdade, representa um marco no desenvolvimento da criança. A introdução de um alimento novo de ser gradual, sem forçar, sem insistir, sem agradar a criança para que o aceite.
Podem ser iniciados, um por vez, cereais, frutas ou vegetais, sob a forma de purê. Estes alimentos propiciam uma transição lenta para uma dieta mais variada, contribuindo para o aporte de vitaminas A, do complexo B, C e minerais. O aleitamento materno pode ser mantido entre 6 e 12 meses e o fato de serem introduzidos alimentos suplementares não significa o seu fim. Porém, algumas vezes, este aleitamento materno não é o suficiente. Recomenda-se, então, as fórmulas lácteas enriquecidas com ferro.
A introdução do leite de vaca só deve ser feita depois de completado o primeiro ano de vida. Este período de transição representa o segundo passo em direção a uma alimentação sadia.
Ao lado dos aspectos estritamente nutricionais, também se verificam modificações no desenvolvimento neuropsicomotor, de modo que a criança passa de uma fase de dependência ( ser alimentado ) a uma de independência ( alimentar-se sozinho ). Finalmente, temos o período de "adulto modificado" em que a criança já mais independente, se interessa pela colher e quer participar das refeições da família, o que passa a ocorrer durante seu segundo ano de vida, ao término do qual estará aceitando e apreciando uma grande variedade de alimentos.
Assim, terão se estabelecido bases firmes para uma vida de hábitos alimentares sadios.
*Prof. Dr.
Cláudio Leone
*Prof. Dr. Mário Santoro Jr.
*Profa. Dra. Lúcia Ferro Bricks
*Profa. Dra. Conceição Aparecida de Mattos Segre