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LASER E OFTALMOLOGIA

Dr. Leoncio de Souza Queiroz Neto
Dr. André M. Raad Camargo
Dr. Mauro Antonio Chies


O raio Laser é o resultado da transformação da energia luminosa concentrada em um raio único. A palavra LASER corresponde à sigla: luz amplificada pela emissão estimulada de radiação (do inglês: light amplification by stimulated emission of radiation).

Os instrumentos a laser constituem-se basicamente de uma potente corrente elétrica que produz um único e poderoso feixe de luz de energia concentrada ao atravessar um tubo contendo gases especiais como o Argônio, Kriptônio, YAG, etc. Fig. 1

A duração, o poder e o tamanho do feixe de luz podem ser totalmente controlados pelo cirurgião dependendo da necessidade do mesmo, de modo a melhor tratar a região afetada do olho.

Fig.1

Dentro da oftalmologia, o Laser veio para auxiliar, facilitar e melhor tratar um grande número de patologias oculares, prevenindo em muitos casos os defeitos visuais e corrigindo-os em outros. Existe um grande número de patologias nas quais o Laser tem sua indicação, entre elas poderíamos citar o glaucoma, a catarata, a diabetes, a degeneração macular senil, as roturas retinianas, as oclusões vasculares da retina e os defeitos de refração como a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo.

O tratamento via Laser geralmente é ambulatorial, não necessitando internação, e também é indolor, sendo necessários apenas anestesia tópica com colírio. Isto propicia ao paciente um retorno às suas atividades normais o mais breve possível.

Ainda mais, ao contrário das cirurgias convencionais não há risco de infecção no ato operatório, uma vez que o laser é totalmente asséptico e auto-esterilizante.

As Doenças em que o LASER tem sua aplicação:

1. Retinopatia Diabética

A retinopatia diabética é ainda hoje uma das maiores causas de cegueira no mundo. Fazendo parte ao lado da retinopatia, vasculopatia e neuropatia, do conjunto de complicações mais freqüentes dos pacientes com diabetes mellitus.

O controle metabólico adequado tende a retardar o aparecimento e diminuir a gravidade das alterações fundoscópicas, porém, quando estas já existem não há modificação significativa com a normalização da glicemia.

A retinopatia diabética pode ser de três tipos:

1) Simples - caracterizada pela presença de microaneurismas, hemorragias superficiais ou profundas, edema de retina e precipitados lipídicos;

2) Pré-proliferativa - caracterizada pela presença de exsudatos moles e zonas de não perfusão capilar;

3) Proliferativa - caracterizada por proliferação fibrovascular, neovascularização da papila, retina e/ou vítreo.

 Não há evidências de nenhuma ação eficaz de qualquer tratamento clínico com qualquer droga, sendo que apenas a fotocoagulação ou a pan-fotocoagulação com laser de argônio tem mostrado bons resultados na prevenção de alterações retinianas. Fig.2a. A fotocoagulação age transformando tecido com hipóxia, capaz de liberar substâncias formadoras de neovasos, em zonas de anóxia cicatricial incapaz de produzir fatores angiogênicos. Fig.2b. A laserterapia leva à proliferação do epitélio pigmentar, que quando renovado reduz a quantidade de líquido tecidual extracelular, eliminando a origem do edema tecidual.

Fig.2a

 

Fig.2b

As principais indicações de fotocoagulação com raio laser de argônio são as relacionadas ao edema de mácula que leva à degeneração cistóide e buraco foveal; à zona de não perfusão capilar que leva à neovascularização, e à proliferação fibrovascular que leva à hemorragia e tração vitreoretiniana.

Muitas vezes, devido ao adiantado do quadro, com hemorragias vítreas persistentes e/ou organizadas, ou quando há descolamento retiniano instalado, faz-se necessária a intervenção cirúrgica convencional associada, através da vitrectomia.

 2. Glaucoma:

O glaucoma é outra importante causa de cegueira e pode ser definido como uma condição onde a pressão intra-ocular (PIO) encontra-se em níveis intoleráveis à papila óptica, acarretando lesões atróficas de suas fibras nervosas e, conseqüentemente, perda de campo visual.

A razão pela qual ocorre aumento da PIO é uma dificuldade de drenagem do humor aquoso (que é constantemente produzido pelos processo ciliares) do interior do olho.

O glaucoma pode ser dividido em 3 tipos principais: primários, secundários e do desenvolvimento. Os primários, podem se subdividir em primário de ângulo aberto ou crônico e primário de ângulo fechado ou agudo, e a alteração ocular básica pode ser atribuída a uma diminuição na drenagem do aquoso. Os glaucomas secundários são conseqüência de uma patologia ocular adquirida de origem traumática, inflamatória, etc. Os glaucomas do desenvolvimento são aqueles em que há malformação congênita das estruturas oculares.

Fig. 3.

Todas as formas de glaucoma geram cegueira em sua fase final. O seu tratamento visa basicamente conter a progressão da doença pela redução da PIO.

Quando o tratamento clínico através de colírios ou medicação via oral já não alcançam o efeito desejado, devemos lançar mão de outros métodos como o cirúrgico que pode ser dividido em invásico (trabeculectomia simples) ou não-invásico (com o uso da laserterapia).

Através do método Laser, podemos utilizar o laser de argônio, útil na realização de trabeculoplastias, métodos pelo qual a partir de uma fotocoagulação da região trabecular, seria gerada uma retração cicatricial deste tecido, a qual causaria um aumento da drenagem líquida, restituindo-se a PIO a níveis normais em até 80% dos pacientes. Fig 3.

Além do laser de argônio, o YAG-LASER tem também sua indicação no glaucoma. Com ele, são feitas as chamadas iridectomias, que nada mais são do que a realização de pequenas aberturas na íris, que tem a função de aumentar a drenagem do líquido represado, reduzindo por conseguinte a PIO. Cabe resaltar que a melhor forma de prevenir-se o glaucoma é através do exame oftalmológico da retina, pelo menos a cada 3 anos entre 20 e 40 anos de idade e a cada 2 anos após os 40 anos.

3. Catarata

A catarata nada mais é do que a perda da transparência do cristalino, que dependendo da sua intensidade pode gerar desde uma discreta diminuição da acuidade visual, atá a visão apenas da projeção da luz.

A catarata pode ser uni ou bilateral e, dependendo do local mais acometido, ser descrita como incipiente, madura, hipermadura e subcapsular, e também cortical ou nuclear.

Os tipos de catarata são: congênito, senil, juvenil, traumáticas e se relacionadas a doenças sistêmicas ou substâncias tóxicas.

Fig. 4.

O tratamento da catarata é sempre cirúrgico, através de duas técnicas consagradas denominadas: extracapsular e facoemulsificação, que retiram o cristalino preservando sua cápsula posterior e introduzem implante de lente intraocular de câmara posterior.

Atualmente, tem-se iniciado o uso do chamado Erbium Laser neste tipo de cirurgia, que fragmentaria o cristalino e teria como principal vantagem teórica, o fato de ser menor traumático para o olho. No entanto, este tipo de utilização do Laser ainda encontra-se em evolução.

Como foi descrito, a cápsula posterior do cristalino é sempre preservada para servir de apoio para a introdução da lente intraocular. Com o tempo, ela pode opacificar-se gerando novamente prejuízo visual (recebe o nome de catarata subcapsular posterior). O uso do YAG-LASER vem no auxílio deste problema evitando a necessidade de novo procedimento cirúrgico. É realizado uma abertura nesta cápsula posterior opacificada com aplicações sob anestesia tópica, e sem necessidade de internação, restituindo a visão ao paciente. Fig. 4.

Após uma checagem da PIO, que eleva-se discretamente durante a aplicação, o paciente é liberado para suas atividades normais, podendo ler ou assistir televisão, tão logo se sinta confortável para tal.

 

4. Degeneração Macular Senil

Fig. 5. 

É importante causa de cegueira em indivíduos a partir da 7a. década de vida. Usualmente afeta ambos os olhos. É causada pelo enfraquecimento da membrana de Bruch, fato que permite um extravasamento de líquido seroso com conseqüente descolamento do epitélio pigmentar. A proliferação de neovasos subretinianos e submaculares trambém gera extravasamento sanguíneo (hemorragias), fluído (edema) e lipídico (exsudatos). Há prejuízo da visão fina (localizada na fóvea) e de cores.

O tratamento é a base dos lasers de argônio e de kriptônio que visa a coagulação dos neovasos, evitando sangramentos e enxugando o fluído seroso e o edema retiniano peri-macular. Visa portanto, impedir a progressão do quadro (cegueira) tentando manter visão útil para o paciente. Fig. 5.

5. Oclusões Venosas da Retina

 Fig.6a.

Pacientes a partir da 5a. década de visa, e especialmente aqueles com antecedentes pressóricos elevados das artérias, ou com disfunções cardíacas possuem chance de serem vítimas de oclusões vasculares da retina. Fig.6a.

Fig.6b.

O quadro clínico é iniciado basicamente com a perda súbita da visão. Novamente a laserterapia encontra aqui importante indicação. Fig.6b.

 

 

6. Cirurgia Refrativa

Fig.7.

O Excimer Laser (Fig 7), talvez o mais extraordinário avanço da laserterapia, produz luz ultra-violeta de pequeno comprimento de onda, que leva a volatização tecidual. Essa propriedade, conhecida por fotoablação, faz com que o tecido literalmente desapareça, alterando a topografia corneana, tornando-se então, nos centros de Oftalmologia de ponta, a técnica preferia para a realização de cirurgias refrativas. Para a correção da miopia e do astigmatismo, o laser tornou-se o procedimento mais eficaz, seguro e previsível. Além disso, certas patologias corneanas, como os leucomas e as opacidades, certas distrofias e eroções recorrentes, podem também ser tratadas com segurança e eficiência através deste método a laser.

A correção da hipermetropia, com total satisfação, ainda é um objetivo a ser atingido, porém os novos métodos avançam ano a ano de maneira bastante rápida, e em breve teremos resultados tão satisfatórios quanto os para correção da miopia e do astigmatismo.

INSTITUTO PENIDO BURNIER - OFTALMOLOGIA

 

 
 

 
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